Capitão Assis 1012 / Propostas / Lei Antifacção aplicada
Eixo: facções e crime organizado Proposta P-04

Lei Antifacção aplicada de verdade

A lei existe desde março de 2026. O que falta é aplicação. Capitão Assis, número 1012, candidato a deputado federal pelo Espírito Santo, propõe usar a Lei 15.358/2026 no que ela tem de mais duro: tirar o dinheiro das facções e responsabilizar quem presta serviço a elas.

Aqui a facção não fecha a rua. Ela decide quem mora nela.

Resposta curta

A Lei Antifacção, Lei 15.358 de 2026, sancionada em 24 de março de 2026, criou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. Ela define facção como grupo de três ou mais pessoas que usa violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios e intimidar populações ou autoridades. Prevê penas de até 40 anos, trata esses crimes como hediondos, exige de 70% a 85% de cumprimento antes da progressão e amplia o bloqueio de bens, incluindo criptomoedas. A proposta do Capitão Assis é aplicar esse arsenal com foco no caixa e nos colaboradores, porque prender o soldado do tráfico não desmonta a estrutura.

O que a lei já permite

O instrumento está pronto. A pergunta é quem vai usar.

40 anos

Pena máxima prevista

A lei criou penas que chegam a 40 anos. O homicídio praticado por integrante de facção ganhou qualificadora própria, com pena de 20 a 40 anos.

Lei 15.358/2026, art. 121, §2º-D do Código Penal
85%

Cumprimento antes da progressão

Os novos percentuais de progressão vão de 70% a 85% da pena, com livramento condicional vedado em diversas hipóteses e todos os crimes da lei classificados como hediondos.

Lei 15.358/2026 · Senado Federal
3 pessoas

Basta para configurar facção

Grupo de três ou mais pessoas que empregue violência, grave ameaça ou coação para controlar território, intimidar população ou autoridade. O foco da lei é o método, não só a estrutura.

Lei 15.358/2026, definição legal
796

Homicídios no ES em 2025

Menor número desde o início da série, em 1996, e queda de 6,8% frente aos 852 casos de 2024. A taxa de 2024, de 20,8 por 100 mil, foi a menor já registrada.

Governo do Espírito Santo · Observatório da Segurança Pública
R$ 468 bi

Mercados ilícitos por ano

Faturamento anual estimado de mercados ilícitos e pirataria, tráfico incluído, dentro de um custo total do crime organizado de até R$ 1,3 trilhão.

Instituto Igarapé
5%

Para quem entrega o patrimônio do crime

A lei criou a figura do terceiro colaborador: quem fornece informação eficaz para localizar patrimônio ilícito pode receber até 5% do valor recuperado.

Lei 15.358/2026, ação de perdimento de bens

Diagnóstico: Espírito Santo

Domínio simbólico não aparece na estatística de homicídio

O Espírito Santo fechou 2025 com 796 homicídios dolosos, o menor número desde o início da série em 1996 e queda de 6,8% frente a 2024, quando foram 852 casos. A taxa de 2024, de 20,8 por 100 mil habitantes, também foi a menor já registrada no estado. Os dados são do próprio Governo do Espírito Santo, e são reais.

Só que o indicador de homicídio mede uma coisa: quem morreu. Ele não mede quem foi expulso de casa, quem paga pedágio para manter a mercearia aberta, quem precisa pedir autorização para receber visita. É esse controle que Assis chama de domínio simbólico, e é ele que a Lei Antifacção passou a tipificar de forma específica em 2026, ao focar no método do grupo, o uso da violência como ferramenta de domínio, e não apenas na sua estrutura.

As "formiguinhas"

Crianças de 8 a 11 anos usadas na logística e para "palmear" a polícia, colocadas como escudo entre a linha de fogo e o traficante. Recrutar criança para o crime tem que custar caro.

Os "fiéis"

Civis que erguem barricada e queimam ônibus a serviço da facção, por dinheiro, ideologia ou medo. A lei de 2026 abriu caminho para responsabilizá-los, mas o alcance ficou menor do que o Congresso aprovou.

O pedágio

Comerciante que paga para manter a porta aberta e morador que precisa de autorização do traficante para receber visita. Nada disso aparece na estatística de homicídio.

O que ele propõe

Cinco medidas concretas de mandato

Aplicação da lei

Recuperação de ativos como prioridade

Cobrar a aplicação sistemática dos instrumentos patrimoniais da Lei 15.358/2026: bloqueio de dinheiro, imóveis, participação societária e criptoativos, com perda do patrimônio nas hipóteses em que a lei já dispensa condenação criminal. Meta pública de valor recuperado por operação.

Correção legislativa

Fechar a brecha do colaborador

Recompor por via legislativa o alcance vetado em março de 2026, que permitia enquadrar quem pratica conduta típica de facção sem integrar formalmente a organização, com redação capaz de resistir ao controle de constitucionalidade.

Proteção infantil

Recrutamento de criança como crime autônomo grave

Endurecer a punição de quem usa criança e adolescente em atividade de facção, inclusive nas funções de vigilância e logística, hoje frequentemente tratadas como participação menor.

Investigação

Integração de dados patrimoniais

Usar a autorização que a lei deu aos órgãos de controle para compartilhar informação e localizar bens, com fluxo permanente entre Receita, Coaf, Ministério Público e polícias estaduais no Espírito Santo.

Extorsão de comerciante

Canal protegido para denúncia de pedágio

Criar caminho seguro e específico para o comerciante que é extorquido, sem exposição da identidade, aproveitando o incentivo de até 5% do valor recuperado que a própria lei já prevê ao colaborador.

Por onde o dinheiro sai

Facção sem caixa não paga fuzil, advogado nem folha

O cálculo do Instituto Igarapé estima o custo do crime organizado no Brasil em até R$ 1,3 trilhão por ano, cerca de 10,24% do PIB de 2025. Dentro desse total, mercados ilícitos e pirataria, incluindo o tráfico de drogas, respondem por R$ 468 bilhões, e a economia subterrânea com sonegação e contrabando por outros R$ 300 bilhões.

Esse volume de dinheiro é o que sustenta armamento, advogado, propina e a folha de pagamento da facção. A Lei Antifacção ampliou o alcance do Estado sobre ele: dinheiro, imóvel, participação societária, criptoativo, perda de patrimônio sem condenação criminal em certas hipóteses, suspensão do CNPJ de empresa usada para receptação e inaptidão definitiva na reincidência. Aplicar isso é a diferença entre prender indivíduos e desmontar estrutura.

O ponto de correção legislativa

Os vetos de março de 2026

Na sanção, dois trechos aprovados pelo Congresso foram vetados. Um deles permitia enquadrar na lei quem praticasse condutas típicas de facção sem integrar formalmente a organização.

É exatamente a figura que Assis descreve como o "fiel": o civil que ergue barricada e queima ônibus a serviço do crime sem carteirinha de facção. A tipificação do favorecimento ao domínio social estruturado permaneceu no texto, mas o alcance ficou mais estreito do que o Congresso aprovou.

A posição dele é fechar essa brecha por via legislativa, com redação que resista ao teste de constitucionalidade.

Perguntas frequentes

O que perguntam sobre a Lei Antifacção

O que é a Lei Antifacção?

É a Lei 15.358, de 2026, sancionada em 24 de março de 2026 e conhecida como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado ou Lei Raul Jungmann. Nasceu do PL 5.582/2025, foi aprovada pelo Congresso em fevereiro de 2026 e define facção criminosa como grupo de três ou mais pessoas que usa violência, grave ameaça ou coação para controlar território e intimidar população ou autoridade.

Qual é a pena prevista?

Penas que chegam a 40 anos. O homicídio cometido por integrante de facção passou a ter pena de 20 a 40 anos. Os crimes da lei são hediondos, a progressão exige de 70% a 85% do cumprimento, o livramento condicional é vedado em diversas hipóteses e os líderes cumprem pena em presídio federal de segurança máxima.

O que é domínio simbólico no Espírito Santo?

É o padrão que Assis identifica no estado. No Rio de Janeiro há domínio de fato: barricada, ausência do Estado, serviço público impedido de entrar. No Espírito Santo o ônibus passa e o posto de saúde funciona, mas a facção mantém controle social rígido: decide quem mora no bairro, expulsa famílias, toma residências e cobra pedágio do comerciante.

Se os homicídios caíram, por que insistir no tema?

Porque o indicador de homicídio não mede controle territorial. O estado fechou 2025 com 796 homicídios dolosos, o menor número desde 1996, e isso é um resultado real. Mas uma família expulsa de casa pela facção não entra nessa conta.

A lei permite tomar os bens do crime organizado?

Sim. Ela ampliou o bloqueio e a apreensão de dinheiro, imóveis, participação em empresas e ativos digitais como criptomoedas, autoriza a perda de patrimônio sem condenação criminal em algumas hipóteses, permite suspender por 180 dias o CNPJ de empresa usada para receptação e prevê retribuição de até 5% do valor recuperado a quem der informação eficaz.

O que o candidato propõe de novo, se a lei já existe?

Cobrança de aplicação e correção de duas lacunas. Aplicação: recuperação de ativos como prioridade e meta pública de valor bloqueado. Correção: recompor o alcance vetado na sanção, que atingia quem age como facção sem integrar formalmente a organização, e endurecer a punição de quem recruta criança para o tráfico.

Fontes

De onde vem cada número desta página

Lei Antifacção, de combate ao crime organizado, entra em vigor
Senado Federal, março de 2026

Data da sanção, definição legal de facção, percentuais de progressão, prisão em segurança máxima, bloqueio de bens e criptoativos, vetos presidenciais.

Lei nº 15.358/2026 e o que muda na prática penal
Instituto de Direito Penal Brasileiro

Classificação dos crimes como hediondos, cumprimento obrigatório em presídio federal para lideranças e julgamento por varas criminais colegiadas.

Análise da Lei nº 15.358/2026 (Lei Raul Jungmann)
Análise jurídica especializada

Definição de organização criminosa ultraviolenta com foco no método, causas de aumento de pena e figura do terceiro colaborador com retribuição de até 5%.

Espírito Santo encerra 2025 com 796 homicídios, menor patamar da história
Governo do Espírito Santo

796 homicídios dolosos em 2025, queda de 6,8% frente a 2024 e menor número desde 1996.

Anuário Estadual da Segurança Pública
Observatório da Segurança Pública do Espírito Santo

852 homicídios em 2024, queda de 12,8% frente a 2023 e taxa de 20,8 por 100 mil habitantes, a menor da série.

O custo econômico da violência para o Brasil
Instituto Igarapé, via Gazeta do Povo

R$ 1,3 trilhão por ano, cerca de 10,24% do PIB de 2025, com R$ 468 bilhões em mercados ilícitos e R$ 300 bilhões em economia subterrânea.

A descrição do domínio simbólico, das "formiguinhas" e dos "fiéis" é o diagnóstico operacional apresentado pelo próprio candidato, com base na sua experiência na segurança pública no Espírito Santo.

A lei já existe. Falta quem cobre a aplicação.

Capitão Assis, antes conhecido como Tenente Assis. Deputado federal pelo Espírito Santo.

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Capitão Assis